Situação de pobreza não é uma fatalidade
 2010-02-05 | Qualquer pessoa pode cair na pobreza, mas não se trata de uma fatalidade sem saída, defendem organizações envolvidas no Ano Europeu do Combate à Pobreza.
`Se calhar há dez anos falava-se da pobreza, toda a gente sabia que existia, mas era quase tida como uma fatalidade´, afirmou à Agência Lusa o director-geral da organização não-governamental (ONG) Oikos, João Fernandes, defendendo a necessidade de dar `visibilidade´ à causa da luta contra a pobreza em Portugal.
`Acreditar que é possível erradicar as formas mais violentas da pobreza, que tornam as pessoas e as famílias dependentes do Estado, que lhes tira toda a autonomia, autoestima e dignidade´ vai ser o mote para o trabalho da Oikos este ano, que quer `mobilizar todo o tecido social, as empresas, os cidadãos e as associações´.
`A capacidade de sofrimento do ser humano é muito limitada. As pessoas que mais diretamente estão afetadas pela pobreza muitas vezes acabam por baixar os braços ao fim de algum tempo, sem encontrarem muitos apoios, e aqueles que têm uma situação remediada ou até economicamente vantajosa muitas vezes preferem não ver, porque ver significa ter que agir´, afirmou.
Por isso, a Oikos aposta em recuperar as`redes sociais´ que se `desestruturaram´: as ligações entre o meio urbano e o Interior e as ligações entre as gerações, no fundo, `recriar a solidariedade humana´.
`Há duas ou três décadas, a pobreza era vista como algo que só acontece aos que não trabalham, aos que não se empenham´, mas hoje, em Portugal e num `mundo globalizado em que as crises surgem do nada, é possível que qualquer família passe por uma situação de pobreza´, realça João Fernandes.
O responsável destacou ainda a importância de `ouvir os pobres´ e saber quais as suas necessidades, fazendo-os `participar nas decisões públicas´, e de `inspirar´ o trabalho de base, feito `nos bairros, nos grupos de jovens´.
Petição online
O presidente da Cáritas portuguesa, Eugénio Fonseca, defende que é preciso `criar oportunidades para as pessoas se livrarem da trama da pobreza´.
`O nosso lema vai ser ''acabar com a pobreza já''. Não é para nós uma utopia, é possível desde que haja vontade política e a prestação dos cidadãos para que todos colaboremos no sentido de acreditar´, afirmou à Lusa.
`Cada cidadão tem um contributo a dar na solidariedade e na ajuda mais próxima´, além da exigência de o Estado criar `políticas de maior justiça social´, disse.
`Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para criar essa consciência´, apontou. `Não tem obrigatoriamente que se nascer pobre e morrer pobre, é possível superar as causas geradoras da pobreza´, argumentou.
A Cáritas está já a recolher na Internet assinaturas para uma petição europeia que quer levar um milhão de assinaturas ao Parlamento Europeu para exigir `medidas objectivas´ que combatam especificamente a pobreza infantil e promovam o acesso à saúde, à educação e ao trabalho digno.
O Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social vai ser lançado em Portugal no sábado, com intervenções do Presidente da República e da ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, na Fundação Calousten Gulbenkian, em Lisboa.
Fonte: Jornal de Notícias |
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