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Equipa portuguesa em acampamento provisório no aeroporto de Port-au-Prince
 2010-01-18 | Sismo no Haiti
18.01.2010 - 09:52 Por Lusa
A equipa portuguesa que chegou hoje ao Haiti terminou a montagem do seu acampamento provisório num terreno do aeroporto de Port-au-Prince cerca das 3h30 locais (8h30 em Lisboa), atrasando o início do trabalho humanitário.
A equipa portuguesa lembra que em cenários de catástrofe a ajuda é precisa durante um longo período de tempo e o Haiti não é excepção. As equipas médicas estão prontas para entrar no terreno, onde ainda há muito para fazer depois da tragédia que na passada terça-feira fez dezenas de milhares de mortos.
`Já estamos habituados a estes compassos de espera. É normal e não há qualquer problema, porque vai continuar a haver muito trabalho para fazer durante muito tempo´, contou à Lusa Fernando Nobre, da AMI.
No aeroporto, o barulho constante da chegada e partida dos aviões e dos camiões que transportam ajuda e equipamento parecem não afectar os portugueses, que estão instalados em onze tendas, mesmo ao lado dos israelitas e perto da equipa de Porto Rico.
Passavam poucos minutos das 19h00 locais (meia-noite em Lisboa), quando Port-au-Prince surgiu nas pequenas janelas do C-130 da Força Aérea que transportou a equipa portuguesa.
Numa cidade `apagada´ pela falta de electricidade, eram visíveis pequenos focos de luz conseguidos graças aos geradores e a fogueiras.
Depois de uma hora a voar em redor do aeroporto à espera de autorização para estacionar, o C-130 aterrou finalmente no aeroporto internacional Toussant Louverture, onde se encontram muitas outras equipas humanitárias.
Durante quatro horas, a equipa portuguesa pôde presenciar o frenesim no aeroporto: `colunas´ de cidadãos norte-americanos e desalojados a serem retirados da capital haitiana, soldados dos Estados Unidos a garantir a segurança do aeroporto em moto-quatro, capacetes azuis que circulavam em camiões pelas pistas do aeroporto e a chegada de um avião com cerca de 300 homens da 82º Divisão Páraquedista norte-americana.
Durante algumas horas, elementos da equipa portuguesa aproveitaram para descansar na entrada das `Chegadas´ do aeroporto, um edifício que também apresenta muitas marcas do sismo na parede amarela. No chão da sala, dormiu-se improvisando almofadas com sacos de viagem e usando casacos como mantas.
Nos últimos dias, dentro do avião, a equipa partilhou comida, cobertores, água e experiências de vida. Hoje, voltam a reunir-se em torno de pequenas fogueiras onde aquecem latas de feijoada e almôndegas com ervilhas. Depois, as tendas voltam a ser partilhadas, tal como foram os espaços exíguos do C-130, onde a equipa passou quase 30 horas.
O local definitivo onde será montado o acampamento só será conhecido durante o dia de hoje, depois de uma reunião com o centro de coordenação. Nessa altura, as tendas acabadas de montar serão desmontadas para o serem de novo.
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